O marido fuma dentro do carro e a esposa odeia cheiro de cigarro. Como resolver?

Luísa

Carlos fumava desde os dezoito. Quando entrava no carro, acendia um cigarro como se fosse automático. A fumaça enchia o habitáculo, o cheiro impregnava nos bancos, no teto, na roupa dela. Ela saía do carro cheirando a cinzeiro. Reclamou, ele apagou na hora. Mas no próximo trajeto, acendia outro. Não por maldade — por vício.

Ela tentou proibir. Ele disse que fumava no carro porque em casa não podia (e realmente, tinham acordo de não fumar dentro de casa). O carro era o refúgio dele. Ela entendia, mas odiava. A briga se repetia toda semana. Até que um dia, ele chegou com um purificador de ar portátil e disse: \"Comprei isso. E vou tentar fumar só com o vidro aberto.\"

Não foi perfeito. Mas foi um passo. Com o tempo, ele reduziu. Passou a fumar antes de entrar no carro, ou depois de sair. O cheiro diminuiu. Um ano depois, ele parou de fumar de vez. Não por causa dela — por vontade própria. Mas o respeito durante o processo fez diferença. Se ela tivesse exigido a proibição total, teria criado um inimigo. Como aceitou o meio-termo, ganhou o respeito.