O marido não para em posto para a esposa ir ao banheiro. Isso é falta de consideração?

Luísa

Luísa bebe água. Muita água. E no carro, isso significa uma parada a cada duas horas. Carlos odiava parar. "Já vamos chegar." "Aguenta mais um pouco." "Para na próxima cidade." A "próxima cidade" nunca chegava rápido o suficiente. Ela apertava as pernas, se contorcia, e ele lá, impassível, como se o desconforto dela fosse frescura.

Numa viagem de quatro horas, pediu três vezes. Ele disse "já já" três vezes. Na quarta vez, ela não pediu — gritou: "PARA O CARRO AGORA." Ele assustou, encostou. Ela correu pro banheiro do posto. Quando voltou, estava visivelmente irritada. "Carlos, isso não é frescura. É necessidade fisiológica. Você trata meu corpo como se fosse menos importante que seus cinco minutos a menos de viagem."

Ele ficou quieto. Depois disse: "Você tem razão. Desculpa." A partir daquele dia, ele passou a perguntar antes de ela pedir: "Quer parar?" E quando ela diz que sim, para. Não discute. Pequena mudança, grande diferença. Luísa aprendeu que às vezes a gente precisa explodir pra ser ouvida. Mas o ideal é pedir antes de explodir.