Ela olhou pro lado e o Carlos estava com o celular na mão, lendo uma mensagem no semáforo. "Carlos, desliga isso." "É rápido." "Não é rápido. É perigoso." Ele guardou, mas na próxima esquina, pegou de novo. Ela ficou tensa. Não era a primeira vez. Já tinha pedido, implorado, explicado os riscos. Ele sempre dizia que "sabia o que fazia".
Numa viagem, ele respondeu uma mensagem enquanto dirigia na estrada. Ela gritou: "PARA!" Ele assustou, quase bateu. Parou no acostamento. "Você quer me matar?" Ela estava chorando. "Você acha que controlar o carro com uma mão enquanto lê é seguro? Não é." Ele viu o medo real dela.
Naquele dia, fizeram um pacto. O celular dele vai pro porta-luvas quando ele dirige. O dela também. Se precisar usar, encosta. Não é negociável. No início, ele reclamou. Depois, percebeu que não fazia falta. Hoje, ele mesmo coloca o celular no porta-luvas antes de ligar o carro. Ela não precisou de argumentos técnicos — precisou que ele visse o medo dela. Quando o amor fala mais alto que a razão, a mudança vem.