O marido nunca abastece o carro, deixa no tanque e a esposa sempre assume. Como resolver?

Luísa

Ela entrava no carro, olhava o marcador de combustível e via o mísero traço vermelho. Isso era a vida dela toda semana. Carlos usava o carro o dia inteiro, voltava com o tanque na reserva, e no dia seguinte ela precisava ir trabalhar. Ela parava no posto, abastecia, e seguia. Uma vez, na segunda de manhã, o carro morreu na saída de casa. Tanque seco. Ele tinha usado o fim de semana inteiro sem abastecer. Ela perdeu uma reunião importante.

Tentou falar: "Carlos, você podia abastecer quando usa?" Ele dizia "vou abastecer amanhã" e nunca abastecia. Passou a deixar um bilhete no painel: "Abastece, por favor." Ele ignorava. Começou a criar um ressentimento que não era sobre gasolina — era sobre consideração. Ele usava, ela pagava. Ele gastava, ela repunha. Injusto.

Mudou de estratégia. Na sexta, encheu o tanque. Tirou foto. Disse: "Tanque cheio pra você usar o fim de semana. Na segunda, ele tem que estar cheio de novo. Se não estiver, você vai de Uber." Ele riu. Segunda de manhã, o tanque estava na reserva. Pegou a bolsa, chamou um Uber, foi trabalhar. Ele ficou sem carro. À noite, ele disse: "Você foi mesmo de Uber?" "Fui. E vou toda vez que o tanque estiver vazio." Ele nunca mais deixou o tanque na reserva. Não porque combinaram — porque ele sentiu o custo real de não repor. Às vezes, a gente precisa deixar o outro sentir o problema em vez de resolvê-lo.