Ela ignorou a luz da injeção eletrônica. Acendeu na terça, ela pensou "é só um sensor". Na quarta, ainda acesa. Na quinta, apagou com fita preta. Sexta, na estrada pra serra, o carro simplesmente morreu. Perdeu potência, começou a tremer, e ela teve que encostar no acostamento. Motor fundido. Oito mil reais de prejuízo. Ela ligou pro Carlos com a mão tremendo. "Amor, o carro quebrou." "Como assim quebrou?" "A luz tava acesa e eu ignorei." Silêncio.
Ele veio buscar ela com o caminhão do seguro. Não falava. Ela esperava o grito, a bronca, o "eu te avisei". Mas ele ficou calado. Quando o carro foi guinchado, ele puxou ela pra um abraço. "Você está bem?" Ela chorou. "O motor fundiu." "Motor se troca. Você não." Aquilo desmontou ela. Ela esperava punição e recebeu cuidado.
Na volta pra casa, ele disse: "Luísa, da próxima vez, me fala. A luz acendeu, você me conta. A gente descobre junto. Não precisa resolver sozinha." Ela entendeu que o erro não foi ignorar a luz — foi achar que ela precisava dar conta de tudo sozinha. Casamento é parceria. Ela estava agindo como se o carro fosse só problema dela. O motor foi trocado. Mas o que realmente mudou foi que ela aprendeu a dividir o peso. Luz acendeu? Tira foto e manda. O problema vira deles.