Carlos é mecânico de fim de semana. Já trocou óleo, pastilha de freio, até correia dentada — com a ajuda de um tutorial do YouTube. Ele se orgulha disso. O problema é que ele acha que o conhecimento dele invalida qualquer opinião dela sobre o assunto. Um dia, ela comentou que ouvira falar que tal oficina era boa. Ele respondeu: "Oficina boa é a que eu conheço." Outro dia, sugeriu trocar a marca do óleo. "Luísa, deixa que eu entendo disso."
A gota d'água foi quando o carro começou a fazer um barulho metálico. Ela falou: "Acho que é a suspensão." Ele riu: "Suspensão? Você nem sabe onde fica." Três dias depois, o mecânico confirmou: era a suspensão. Ela pagou pra ver, mas não teve alegria. Porque o problema não era estar certa — era ele não a levar a sério. Sentou com ele. "Carlos, você é bom com carros. Mas isso não significa que eu não entendo nada. Eu pesquiso, eu leio, eu pergunto. Quando você me descarta, você me faz sentir pequena."
Ele pediu desculpas. Disse que era automático, que não percebia. Combinaram que, quando ela opinasse sobre o carro, ele repetiria em voz alta o que ela disse, como forma de processar. Parece bobo, mas obrigou ele a ouvir de verdade. Ele ainda sabe mais de mecânica. Mas hoje ele a ouve antes de descartar. E ela acertou mais duas vezes sobre barulhos estranhos — ele confirmou depois.