Clarinha teve o celular roubado na rua. Além do prejuízo material, ficou desesperada com os dados pessoais e bancários no aparelho. Um conhecido disse que ela precisava fazer um Boletim de Ocorrência, mas ela nunca tinha feito um na vida.
— É simples — disse a atendente da delegacia. — A senhora vai relatar o que aconteceu e nós registramos.
Clarinha explicou que estava voltando do trabalho quando dois garotos de moto passaram e puxaram sua bolsa. Levou documentos, celular e dinheiro. O escrivão datilografou o relato e pediu que ela lesse antes de assinar.
— Isso é importante para comprovar o crime perante a operadora do celular, o banco e a seguradora — disse o policial.
Clarinha saiu da delegacia com uma via do BO. Com ele, conseguiu bloquear o celular pela operadora, solicitar segunda via dos documentos e fazer a comunicação ao banco. Descobriu ainda que poderia ter registrado o BO pela internet, na Delegacia Eletrônica, sem sair de casa.
— Pensar que eu quase não fui registrar porque achei que não ia adiantar — disse ela depois. — O BO é o primeiro passo para qualquer providência depois de um crime.