Beto sempre resolveu tudo sozinho. Nunca precisou de advogado na vida e achava que aquilo era coisa para quem vivia arrumando confusão. Mas quando recebeu a notificação extrajudicial de um antigo sócio cobrando uma dívida que ele nem sabia que existia, o chão se abriu.
— O que eu faço agora? — perguntou para Clarinha, visivelmente nervoso.
Clarinha sugeriu que ele procurasse um advogado. Beto relutou, dizendo que não sabia nem por onde começar. Ela então lembrou que o primo de Carlinhos era advogado e poderia dar uma orientação inicial. Beto anotou o telefone com a mão trêmula.
No escritório, o advogado foi paciente. Explicou que primeiro faria uma análise do contrato e das provas, e só depois diria se Beto realmente devia aquilo. Pediu documentos, contratos antigos e extratos bancários. Beto saiu de lá com uma lista de tarefas e a sensação de que, pela primeira vez, alguém estava lutando ao lado dele.
— Não é esse bicho de sete cabeças que você pensa — disse o advogado, dando um tapinha no ombro dele.
Uma semana depois, voltaram a se encontrar. O advogado mostrou que a dívida já havia sido paga anos atrás, mas o ex-sócio estava tentando cobrar de novo. Beto sentiu um misto de alívio e indignação. O advogado entrou com uma contestação e a ação foi arquivada. Beto aprendeu que contratar um advogado não é sinal de fraqueza, mas de inteligência.