— Preciso de uma certidão de casamento com inteiro teor — Luísa disse no balcão do cartório.
— Pra quê? — a atendente perguntou.
— Visto. Meu marido vai trabalhar fora por um tempo e o consulado pediu.
— Entendi. A certidão comum não serve?
— Pediram a completa. Com todas as informações.
— Tudo bem. A de inteiro teor tem mais dados. Data, regime de bens, qualificação completa das testemunhas, dados dos pais.
— É isso que eles querem.
— Então vou emitir. O valor é diferente. Cento e vinte reais.
— Pode ser.
A atendente pediu os documentos, digitou, imprimiu.
— Confere se tá tudo certo: Luísa Tolentino Martins e Carlos Eduardo Almeida. Regime: comunhão parcial de bens. Data: conforme registro.
Luísa leu. Tudo certo.
— Pode assinar aqui.
Ela assinou.
— Pronto. Essa tem validade internacional, dependendo do país. Se precisar de tradução juramentada, tem que fazer separado.
— Ainda vou ver.
— Guarda bem. Perdeu, tem que tirar outra.
— Pode deixar.
Ela colocou o documento na pasta. De noite, mostrou pro Carlos.
— Olha. A certidão completa.
— Bonita.
— Carimbada, assinada, com inteiro teor.
— Inteiro teor é o quê?
— Tudo. Desde quando a gente nasceu até o casamento. Nome dos pais, regime, testemunhas.
— E serve pro visto?
— Serve.
— Então valeu.
— Valeu. Mas foi cento e vinte reais.
— Caro.
— Mas resolve.
— É o que importa.
*Continua em: 843 — Como pedir certidão negativa de casamento?*