Seis meses depois da união estável, Luísa estava no escritório quando a mãe ligou.
— Filha, e o casamento?
— A gente já tem união estável, mãe.
— União estável é papel. Casamento é festa.
— A gente não quer festa.
— Então casa no cartório. Mas casa.
Luísa pensou. A mãe tinha um ponto.
Ela esperou Carlos chegar do trabalho.
— Sua mãe ligou?
— Falou de casamento?
— É.
— E você?
— Não sei. Talvez seja hora de converter.
— A união estável?
— É. Vira casamento direto.
— Como?
— A gente volta no cartório e faz a conversão.
— Mais testemunha?
— Só precisa de duas pessoas.
— De novo o Beto e a Camila.
— Ou a gente escolhe outros.
— O Beto e a Camila tão de novo.
Ela riu.
— Então tá. Marca.
Na semana seguinte, eles voltaram ao mesmo cartório. A mesma escrevente.
— De novo? — ela perguntou.
— Agora é casamento — Luísa disse. — Conversão de união estável.
— Basta assinar o termo. E as testemunhas?
— Aqui.
Beto e Camila assinaram de novo.
— Pronto. Agora vocês são casados.
— Só isso?
— Só. O casamento é a conversão automática. Se quiserem certidão, eu emito em cinco dias.
— Quero.
— Então volta semana que vem pra buscar.
Na calçada, Beto riu.
— Duas vezes testemunha. Vocês tão me devendo um churrasco.
— Tá pago.
— E agora? — Camila perguntou.
— Agora a gente é casado — Luísa disse.
— Parece igual.
— É igual. Só que com outro nome.
— E com aliança? — Camila perguntou.
— Ainda não.
— Então compra. Senão ninguém acredita.
*Continua em: 841 — Como pedir uma certidão de casamento no cartório?*