— A gente já mora junto, já divide conta, já tem cachorro — Carlos disse, virando a almofada no sofá. — Por que não oficializar?
Luísa levantou os olhos do tablet.
— Oficializar como?
— União estável. É mais simples que casamento.
— E como faz?
— Pelo que pesquisei, vai no cartório com os documentos. Escritura pública.
— Só isso?
— Precisa de testemunhas também.
— Quantas?
— Duas.
— Quem?
— Pode ser o Beto e a Camila.
— Acho que topam.
No sábado seguinte, os quatro foram juntos ao cartório. Uma sala com balcão de madeira, escrivaninha, um cheiro de papel velho. A escrevente atendeu com um sorriso.
— Vim fazer a escritura de união estável — Carlos disse.
— Ótimo. Tem os documentos?
Ele colocou no balcão: RG, CPF, comprovante de residência, certidão de nascimento.
— Testemunhas?
— Aqui.
Beto e Camila assinaram. A escrevente carimbou.
— Pronto. Tá feito.
— Só isso? — Luísa perguntou.
— Só. Agora vocês têm união estável reconhecida em cartório. Se quiserem converter em casamento depois, é mais rápido.
— E pra separar? — Carlos brincou.
— Aí tem que voltar aqui. Mas espero que não.
— Também espero.
Eles saíram com o papel na mão. Na calçada, Beto deu um tapinha nas costas do Carlos.
— Então é oficial.
— Oficial.
— Casaram?
— União estável.
— É quase casado.
— É.
Camila abraçou a Luísa.
— Selo de qualidade.
— Selo de cartório.
*Continua em: 840 — Como converter união estável em casamento no cartório?*