A festa já tinha acabado, mas o tio Paulo ainda estava no salão, sentado numa cadeira perto da porta, com a cabeça baixa e as mãos apoiadas nos joelhos.
Luísa viu de longe. Ele não conseguia levantar direito.
— Carlos — ela chamou baixo.
— Fala.
— O tio Paulo bebeu demais.
Carlos olhou.
— Ele tava bem mais cedo.
— Agora não tá.
Ela foi até ele. Sentou na cadeira ao lado.
— Tio Paulo, tudo bem?
Ele levantou a cabeça devagar. Olhos vermelhos.
— Tô bem, fia. Só tô descansando.
— Acho que o senhor descansa melhor em casa. Vou chamar um Uber.
— Não precisa.
— Já chamei. O senhor mora onde mesmo? Rua das Acácias?
— É.
Ela abriu o app no celular e pediu um carro.
— Carlos, ajuda ele a levantar.
Carlos veio, colocou o braço do tio em volta do ombro e levantou ele devagar.
— Vai, tio. De vagar.
— Tô bem, rapaz.
— Tá sim. Mas vai de Uber. A gente não quer o senhor dirigindo assim.
O motorista chegou. Eles ajudaram o tio Paulo a entrar no carro.
— Chega em casa e manda mensagem — Luísa disse. — Ou deixa a esposa mandar.
O carro saiu.
— Você agiu rápido — Carlos disse.
— Já vi isso antes. A pessoa passa do ponto, fica com vergonha e não pede ajuda. A melhor coisa é resolver sem chamar atenção.
— Como você fez.
— É. Sem julgamento, sem bronca. Só resolver.
— Ele vai ficar sem graça amanhã.
— Amanhã a gente manda uma mensagem e pronto. Segue a vida.
— Boa.
— Festa é pra todo mundo se divertir. Mas alguém tem que ficar de olho.
— Hoje foi você.
— Hoje foi eu. Da próxima pode ser outro.
*Continua em: 839 — Como fazer união estável em cartório?*