Dois dias depois da festa, Carlos estava no escritório quando lembrou de uma coisa.
Ele pegou o celular e abriu o grupo da família.
"E aí, o que acharam da festa?"
Luísa viu a mensagem do quarto e respondeu em voz alta:
— Você mandou isso no grupo?
— Mandei. Quero saber se gostaram.
— E se reclamarem?
— Aí a gente melhora.
As notificações começaram a chegar.
Dona Lúcia: "Tava linda, filho. A comida quentinha, o bolo uma beleza."
Beto: "Massa. Mas faltou cerveja gelada no começo."
Clarinha: "Gente, a música tava perfeita. Quem escolheu?"
Luísa respondeu: "Fui eu e o Carlos."
Prima Júlia: "O salão é bonito mas o ar condicionado fraco."
Tio Paulo: "O estacionamento pequeno."
Carlos foi anotando num bloco de notas:
- Cerveja gelada no começo
- Ar condicionado
- Estacionamento
— Olha — ele disse. — Coisas pra melhorar.
— Você vai levar a sério? — Luísa perguntou.
— Claro. Se a gente não perguntar, eles não falam. Mas quando a gente pergunta, eles falam.
— E dói?
— Um pouco. Mas é melhor saber.
— O que mais você quer saber?
— Preço. Se valeu o que a gente gastou.
— E valeu?
— Pelo que tão falando, valeu. Tirando o ar condicionado.
— Então foi um sucesso.
— Foi. E ano que vem a gente aluga um salão com ar melhor.
— Aprendendo.
— Sempre.
*Continua em: 838 — Como lidar com um convidado que exagerou na bebida?*