A festa de aniversário de casamento estava acabando. O buffet já tinha guardado as formas, o DJ estava desmontando as caixas de som, e os últimos convidados se espalhavam pelo salão se despedindo.
Luísa parou na porta de saída. Ela cansada, os pés doloridos, mas sabia que precisava ficar ali até o último.
— Tia, obrigada por vir.
Ela abraçou a tia Margarida.
— A festa linda, filha. Parabéns.
— A senhora gostou do bolo?
— Uma delícia. Levei um pedaço pro seu tio.
— Aproveita e leva mais um. Vou mandar embrulhar.
— Aceito.
O próximo era o primo André.
— Valeu, André. Bom te ver.
— Valeu, prima. A Jéssica mandou um beijo.
— Manda ela vir no próximo jantar. A gente marca.
— Fechou.
O próximo era Seu Jorge, da padaria.
— Seu Jorge, obrigada por ter vindo. A senhora Helena gostou?
— Gostou. Mas não come doce, a diabete. Comeu só o salgado.
— Ano que vem tem opção sem açúcar só pra ela.
— Ela vai gostar.
No final, quando só restavam Carlos e alguns familiares próximos, Luísa sentou numa cadeira pela primeira vez em horas.
— Agradeceu todo mundo? — Carlos perguntou.
— Acho que sim.
— Até o tio que chegou bêbado?
— Também. Agradeci e falei que foi bom ver ele.
— Não falou do bêbado?
— Não. Não é hora.
Ele sentou do lado.
— Você é boa nisso.
— No quê?
— Receber. Fazer a pessoa se sentir bem-vinda. Agradecer de verdade.
— É o mínimo.
— Mas não é o que todo mundo faz. Muita gente some antes do final.
— É que a festa é nossa. As pessoas vieram porque a gente chamou. Agradecer é parte.
— Aprendi contigo.
Ela apoiou a cabeça no ombro dele.
— Vamo embora?
— Vamo. Mas antes deixa eu falar com seu tio.
— Fala.
Ele foi. Cumprimentou. Agradeceu. Apertou a mão.
*Continua em: 837 — Como pedir feedback aos convidados após um evento?*