A mesa do salão de festas estava montada. Toalha branca, louças alinhadas, taças de vinho inclinadas na posição certa. Carlos segurava um papel quadriculado com nomes escritos a lápis.
— Você ainda tá nisso? — Luísa perguntou, chegando perto.
— Tô tentando não colocar o tio Paulo perto do irmão da sua mãe.
— Por quê?
— Na última festa eles discutiram política e quase virou briga.
— Bota um de cada lado da mesa.
— Tentei. Mas aí o tio Paulo fica perto da Clarinha, que não suporta o cheiro de charuto dele.
— E o Beto?
— O Beto pode ir do lado do pai dela. Eles se dão bem.
Carlos passou o dedo pelo papel. Sua mesa tinha dez lugares. Cinco de cada lado.
— O ideal é intercalar casais e deixar pessoas que conversam perto umas das outras.
— E quem não se suporta, longe.
— Exato.
Ele escreveu mais alguns nomes.
— A Dona Margô fica aqui, no centro. Ela puxa conversa com qualquer um.
— Boa.
— E o seu pai fica aqui, do lado dela.
— Eles conversam bem?
— Conversam. Ele gosta de contar história de eletricista e ela gosta de ouvir.
— Pronto. Fechou.
— Falta o tio André.
— Põe do lado do Beto.
— Vai dar certo?
— Vai. O Beto aguenta qualquer um.
Carlos escreveu o último nome.
— Mesa fechada.
Ele olhou o papel. Cada nome no seu lugar. Um mapa de relações, afinidades, distâncias.
— Jantar formal é isso — ele disse. — Todo mundo no mesmo espaço, mas cada um no lugar certo.
— Ou pelo menos no menos errado.
Ele riu.
— É isso.
*Continua em: 836 — Como agradecer os convidados ao final de uma festa?*