O jantar de casamento estava marcado para o sábado seguinte. Luísa revisava a lista de convidados no celular quando uma mensagem chegou.
Era do primo André.
"E aí, posso levar a Jéssica?"
Luísa leu duas vezes. A Jéssica era a nova namorada dele, que ela nunca tinha visto na vida. O casamento tinha limite de convidados. Cem pessoas. Lotado.
Ela suspirou e foi até a sala, onde Carlos estava no sofá com o Toby.
— O primo André quer levar a namorada.
— A Jéssica?
— É.
— Ela não tá na lista.
— Não tá. E eu não sei como falar que não.
— Fala a verdade. Que o espaço é limitado.
— Mas ele vai ficar chateado.
— E você prefere ele chegar com ela e todo mundo sem lugar?
— Não.
Ela pegou o celular de novo. Pensou. Digitou. Apagou. Digitou de novo.
"André, então... a gente já fechou a lista e o espaço tá bem no limite. Não vai dar pra incluir mais ninguém. Mas conta pra Jéssica que a gente marca um jantar depois, tá?"
Ela enviou antes de pensar demais.
A resposta veio em segundos.
"Tranquilo, prima. Entendo. Depois a gente marca."
Ela leu em voz alta.
— Resposta rápida — Carlos disse.
— Rápida e educada.
— Viu? Não precisa de drama.
— Eu fico imaginando o pior. Que a pessoa vai ficar ofendida, vai parar de falar comigo.
— Na maioria das vezes a pessoa entende. Só precisa de um motivo.
— Verdade.
Ela guardou o celular e sentou do lado dele.
— Uma coisa a menos.
— Hoje é dia de comemorar: você conseguiu dizer não sem culpa.
— E você conseguiu dar um conselho sem ficar repetindo.
— A gente aprende junto.
O Toby latiu.
*Continua em: 835 — Como organizar o mapa de lugares em um jantar formal?*