Luísa estava no escritório de casa, o celular apoiado na caneca, quando a tela acendeu com o nome da mãe.
— Alô, mãe?
— Filha, tava pensando numa coisa.
— Fala.
— A Clarinha vai passar o fim de semana aqui. Tava pensando em chamar você e o Carlos pra jantar sábado.
— Claro. Que horas?
— Sete. Mas não precisa trazer nada.
— Tá bom.
— E traz o Toby. A Clarinha morre de saudade.
— Vou.
Desligou. Luísa ficou olhando pro celular. Clarinha morava em outra cidade, fazia faculdade de veterinária. Ela vinha uma vez por mês, quando dava. Beto morava na mesma cidade, mas sempre ocupado. Carlos falava com ele mais por mensagem do que pessoalmente.
— Ela vem? — Carlos perguntou, entrando na sala com uma xícara de café.
— Vem. Sua mãe chamou a gente pra jantar sábado.
— Legal. Faz tempo que não vejo ela.
— Pois é.
— Ela respondeu minha mensagem ontem. Mandei um sticker de cachorro e ela mandou um de coração.
Luísa sorriu.
— É o que dá pra fazer quando mora longe.
— Mandar sticker?
— Mandar mensagem. Ligar. Não deixar acumular.
— É mais difícil que com o Beto. O Beto eu vejo no churrasco e pronto. A Clarinha eu tenho que lembrar de mandar mensagem.
— Mas você lembra.
— Lembro. Mas não toda semana.
— O importante é não deixar esfriar. Morar longe já afasta naturalmente. Se não cuidar, vira só natal e aniversário.
Carlos sentou na cadeira do lado.
— Como você cuida da sua mãe? Ela mora longe.
— Ligo duas vezes por semana. Mando foto do Toby. Pergunto se ela tá comendo direito. Coisas pequenas.
— Funciona?
— Funciona. Ela me liga quando precisa. E quando a gente se vê, parece que não passou tempo.
— Clarinha vem uma vez por mês.
— Então uma vez por mês é presencial. O resto é mensagem e ligação. Não precisa ser mais que isso.
— É justo.
— O importante é manter o fio. Não deixar arrebentar.
*Continua em: 833 — Como lidar com irmãos que se dão mal?*