O corredor do avião era estreito. Carlos passou com a mochila na frente, a mala de mão roçando nos braços dos passageiros já sentados.
Ele chegou na fileira 14. O compartimento de cima estava quase cheio. Uma mochila aqui, uma bolsa ali, um casaco pendurado.
Ele levantou a mala. Não encaixou. Tentou de lado. Também não.
— Deixa que eu ajudo — uma voz disse.
Ele virou. Um comissário de colete vinha pelo corredor.
— A mala não tá entrando — Carlos disse.
— É sua?
— É.
— Vou tentar. Abre espaço.
O comissário ajeitou uma mochila de lado, virou a mala de Carlos, encaixou na diagonal. Bateu de leve pra firmar.
— Pronto.
— Valeu. Tava difícil.
— Elas nunca entram de primeira. A gente tem que saber o jeito. A sua é pequena, mas o compartimento já tava cheio.
— E se não couber de jeito nenhum?
— Aí a gente despacha na porta. Coloca etiqueta e vai no porão. Mas essa coube.
— Obrigado.
— Imagina. Boa viagem.
Carlos sentou. Ajustou o cinto.
— Resolveu? — Luísa perguntou.
— Resolveu. O comissário ajudou.
— Só pedir.
— É. Mas eu tentei sozinho primeiro.
— E não conseguiu.
— Não. Mas aprendi. Da próxima já peço logo.
— Exato.
Ele reclinou a poltrona e respirou.
— Hotel, aeroporto, avião. Que dia.
— E ainda tem mais dias pela frente.
— Boa.
*Continua em: 830 — Como lidar com a namorada ou namorado de um irmão?*