O saguão de embarque estava cheio. Carlos segurava a mochila numa mão e a mala de mão na outra. O voo atrasou mais quarenta minutos.
— Vou no banheiro — ele disse pra Luísa. — Fica aqui com as coisas.
— Leva a mochila.
— Só vou mijar.
— Leva a mochila. Senão alguém passa e leva.
— Tá bom.
Ele foi com a mochila. Voltou cinco minutos depois. Tinha uma senhora sentada no lugar dele.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada. Ela só sentou — Luísa disse. — Mas fica esperto. Nunca pede pra estranho cuidar de bagagem.
— Imagina se eu peço.
— Tem gente que pede. Aí some tudo.
— Sério?
— Já vi. A pessoa pede pro outro olhar, vai no banheiro, volta e a mala sumiu. E o outro também sumiu.
Carlos balançou a cabeça.
— Que doideira.
— É o mundo.
Ele sentou no chão, encostado na parede. A mala entre as pernas. A mochila no colo.
— Então nem pra conhecido?
— Conhecido pode. Estranho não.
— E se for uma senhora de idade?
— Também não.
— E se for um casal?
— Também não.
— E se for um padre?
Ela riu.
— Nem padre, Carlos.
— Tá. Nunca peço.
Ele olhou pro lado. Um homem tinha deixado a mochila na cadeira e ido na cafeteria. Carlos pensou em avisar, mas aí lembrou: não é problema dele. Cada um cuida do seu.
— Vou ficar de olho na nossa — ele disse.
— É só o que a gente precisa fazer.
*Continua em: 828 — Como pedir a um atendente de companhia aérea para verificar a bagagem de mão?*