Faltavam quarenta minutos para o embarque. Luísa reabriu a mochila na fila da inspeção e sentiu o coração acelerar.
O vidro de xampu estava ali. 200ml. Ela tinha comprado sem pensar.
— Esqueci o xampu — ela murmurou.
— Tamanho? — Carlos perguntou.
— Grande.
— Joga na mala despachada?
— Já passou.
Ela olhou em volta. Um agente da Anac estava perto das esteiras, de braços cruzados. Ela foi até ele.
— Com licença, posso perguntar uma coisa?
— Pois não.
— Eu trouxe um xampu de 200ml na bagagem de mão sem querer. Esqueci que não pode. Tem como resolver sem perder o produto?
O agente olhou pra mochila dela.
— Você pode despachar agora. Ali no balcão do lado, é só falar que é mala de última hora.
— Mas o voo já tá chamando.
— Ainda dá tempo. Ou você coloca num frasco menor, se tiver.
— Não tenho frasco.
— Então ou despacha, ou perde. Mas nunca tenta esconder. Se passar e pegar, vai ter que jogar fora de qualquer jeito.
— Se eu despachar agora, quanto tempo leva?
— Dois minutos. O balcão tá vazio.
Ela correu até o balcão.
— Moça, preciso despachar um item só. Xampu. Minha bagagem de mão já passou.
A atendente olhou.
— Pode por naquelas sacolas plásticas e despachar como volume avulso. O senhor que vai com você?
— Meu esposo.
— Põe o nome dele. O valor é vinte reais.
Luísa pagou, colocou o xampu na sacola, a atendente colou a etiqueta.
— Leva até a esteira ali.
Ela levou. Entregou pro funcionário.
— Pronto — ela disse, voltando. — Despachei.
— Quanto foi?
— Vinte reais. Melhor que perder o xampu.
— Verdade. Mas da próxima compra o tamanho de viagem.
— Pois é.
O alto-falante chamou o voo.
— Vamo que vamo — ela disse.
*Continua em: 827 — Como pedir a um passageiro para cuidar da bagagem por um momento?*