Como pedir serviço de quarto?

Carlos

A lua de mel tinha acabado, mas o espírito ainda estava no ar. Depois de uma semana viajando, Carlos e Luísa estavam de volta na cidade, mas num hotel diferente — o Terraço Imperial, um presente da Dona Lúcia para o casal descansar mais um dia antes de voltar à rotina.

Eram 21h. A tv estava ligada num filme qualquer. A barriga de Carlos roncou.

— Tô com fome — ele disse.

— A gente jantou há duas horas — Luísa respondeu, deitada na cama.

— Fome de madrugada.

— Pede serviço de quarto.

Ele pegou o cardápio que estava na escrivaninha. Capa de couro sintético, páginas plastificadas. Sanduíches, saladas, bebidas, sobremesas.

Ele discou 0.

— Serviço de quarto, boa noite.

— Boa noite. É do 512. Queria pedir um sanduíche.

— Claro. Qual?

— O de frango com cream cheese.

— Bebida?

— Um suco de laranja.

— Mais algo?

— Não, só isso.

— Vinte minutos. Vou confirmar o valor: trinta e dois reais.

— Tudo bem.

— Obrigado. Já vai.

Ele desligou.

— Rápido — Luísa disse.

— Foi. Pedi direto.

— Quanto deu?

— Trinta e dois.

— Barato pra serviço de quarto.

Vinte minutos depois, bateram na porta. Um garçom de colete branco entrou com a bandeja. Sanduíche cortado em triângulos, suco gelado, um bombom de cortesia no prato.

— Servido — o garçom disse.

— Valeu.

— O bombo é cortesia da casa. Boa noite.

Ele saiu. Carlos abriu o sanduíche. O pão estava quente.

— Cortesia — ele disse.

— Lua de mel tem dessas coisas.

— A lua de mel acabou, Lu.

— O espírito não.

Ele mordeu o sanduíche. O queijo derreteu.

*Continua em breve!*