Luísa estava sentada na escrivaninha do quarto, o celular na mão e uma lista mental de coisas para anotar. O voo de volta era daqui a três dias e ela precisava organizar os horários. Olhou ao redor. Nada para escrever.
— Cadê a caneta do quarto? — ela perguntou.
Carlos estava na varanda, olhando o pôr do sol. — Não sei. Usou ela ontem?
— Usei. Deixei na mesa. — Ela revistou a gaveta, a bolsa, a mochila. Nada.
— Pede na recepção — Carlos disse, sem tirar os olhos do horizonte.
Luísa pegou o telefão do criado-mudo e discou 0.
— Recepção, boa tarde.
— Boa tarde. É a Luísa do 703. Precisava de uma caneta e papel, se tiver.
— Claro. Mando já.
— Obrigada.
Ela desligou. Três minutos depois, bateram na porta. Um rapaz de uniforme entregou um bloquinho e uma caneta azul.
— Precisa de mais algo?
— Não, obrigada.
Ele saiu. Luísa fechou a porta e voltou para a escrivaninha. Abriu o bloquinho na primeira folha. Papel sulfite, pautado, gramatura boa.
— Olha — ela disse, mostrando o bloquinho para Carlos. — Até que é bonito.
Carlos entrou. — Eles vendem esses bloquinhos na loja do hotel.
— Eu sei. Mas esse é cortesia. — Ela começou a escrever. — Vou anotar tudo.
— Tudo o quê?
— Programação. Horário do café, passeios, check-out. — Ela olhou para ele. — Você é relaxado demais.
— Você é organizada demais.
Ela sorriu e continuou escrevendo.
*Continua em: 804 — Carlos — Como perguntar sobre política de cancelamento do hotel*