Carlos abriu a mochila e procurou a nécessaire. Vasculhou o fundo. Abriu o bolso lateral. Olhou dentro da mala. Nada.
— Perdi a nécessaire — ele disse.
— Perdeu como? — Luísa perguntou.
— Esqueci em casa. Deve ter ficado na pia do banheiro.
— E agora?
— Vou ter que comprar.
— Espera. Pergunta no hotel. Às vezes eles têm kit de higiene.
— Kit de higiene?
— Para hóspede que esqueceu. Escova de dente, pasta, essas coisas.
Carlos pegou o telefão e discou 0.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É o Carlos do 703.
— Boa noite. Precisa de algo?
— Sim. Eu esqueci minha nécessaire em casa. Vocês têm kit de higiene para hóspede?
— Temos, sim. Kit de emergência. Escova de dente, pasta, barbeador, creme de barbear, pente, e um desodorante de cortesia.
— Tudo?
— Tudo. Vou mandar agora.
— Quanto custa?
— É cortesia. Para emergências como essa.
— Obrigado mesmo.
— Disponha.
Carlos desligou e sentou na cama.
— Cortesia — ele disse.
— Kit de higiene cortesia?
— Escova, pasta, barbeador, creme, pente, desodorante.
— Tudo?
— Tudo.
— E você ia comprar.
— Ia gastar uns 30 reais na farmácia.
Cinco minutos depois, bateram na porta.
— Serviço de quarto.
Carlos abriu. Um rapaz com um saquinho de pano amarrado com cordão. — Kit de higiene.
— Obrigado.
Carlos abriu o saquinho. Escova de dente, pasta pequena, barbeador descartável, creme de barbear, pente e um desodorante aerossol tamanho viagem.
— Hotel salvou — ele disse.
— Que bom que perguntou.
— Se não perguntasse, ia passar o resto da viagem sem escovar os dentes.
— Improvisava.
— Improvisava mal.
Ele foi para o banheiro, abriu a escova, passou pasta e olhou no espelho. Dente limpo, hálito fresco, kit cortesia.
— Lua de mel salva.
*Continua em: 803 — Pedir caneta e papel no hotel*