Carlos estava com a mala aberta no chão, olhando para as roupas. Três camisas usadas. Duas cuecas. Um par de meias. Faltavam quatro dias de viagem.
— Acho que vou ter que lavar roupa — ele disse.
Luísa estava na cama, passando protetor solar. — Tem lavanderia no hotel.
— Lavanderia ou lavagem a seco?
— Os dois. Vou ligar.
Ela pegou o telefão, mas Carlos fez sinal com a mão. — Deixa que eu ligo.
Discou 0.
— Recepção, bom dia.
— Bom dia. É o Carlos do 703.
— Bom dia. Como posso ajudar?
— Vocês têm serviço de lavanderia? Preciso lavar umas roupas.
— Temos, sim. Lavanderia normal e lavagem a seco. O senhor pode deixar as roupas no saco de lavanderia que está no armário, e a gente busca até as 10h. Devolve no final do dia.
— Hoje mesmo?
— Hoje mesmo. Se deixar até as 10h, devolve às 18h.
Carlos foi até o armário, abriu. Um saco de pano branco pendurado no cabide, com o logo do hotel bordado.
— Achei o saco.
— Perfeito. O senhor coloca as roupas dentro, preenche a ficha que está no bolso do saco, e deixa na porta do quarto até as 10h.
— A ficha? — Ele olhou dentro do saco. Tinha um papel dobrado. — Achei.
— Se tiver alguma peça delicada, é só marcar na ficha.
— Beleza. Obrigado.
— Disponha.
Carlos desligou e pegou o saco. Colocou as três camisas, as cuecas e as meias dentro. Preencheu a ficha: uma caneta, sem frescura.
— Vou deixar na porta — ele disse.
— Deixa.
Ele pendurou o saco na maçaneta do lado de fora, fechou a porta e voltou.
— Pronto. Volta às 18h.
— Roupas limpas sem sair do hotel — Luísa disse. — Luxo.
— É a pior parte de viajar.
— Lavar roupa?
— É. Mas aqui resolveram.
— Por isso que é hotel.
*Continua em: 791 — Luísa — Como pedir para passar roupa no hotel*