Luísa estava no saguão do hotel, o celular na mão. Ela já tinha tentado ligar três vezes. O sinal caía antes de completar. Uma mensagem de erro. Outra. Outra.
— O sinal aqui dentro é horrível — ela disse para Carlos.
— Usa o WhatsApp web.
— Não tem internet também. Caiu.
— Pede pra usar o telefone da recepção.
Ela olhou para o balcão. A recepcionista estava atendendo outro hóspede. Esperou a pessoa sair e se aproximou.
— Com licença.
A recepcionista levantou os olhos. — Pois não?
— Meu celular não tá pegando sinal dentro do hotel. Eu preciso fazer uma ligação urgente. Posso usar o telefone da recepção?
A recepcionista apontou para o aparelho sobre o balcão. — Pode usar esse aqui. Ligação local?
— Local.
— Fique à vontade.
Luísa pegou o telefone, discou o número. O tom de linha era limpo, sem chiado. A ligação completou no primeiro toque.
— Alô?
— Mãe? É a Luísa. To ligando do telefone do hotel, porque o celular não pega aqui dentro.
— Ah, filha. Tava preocupada. Seu celular tava dando caixa postal.
— É o sinal. O prédio é muito fechado.
— Tudo bem com vocês?
— Tudo. Só queria avisar que a gente tá bem. A cidade é linda.
— Que bom. Aproveita.
— Vou aproveitar. Beijo, mãe.
— Beijo, filha.
Luísa desligou e colocou o telefone de volta no balcão.
— Conseguiu? — a recepcionista perguntou.
— Consegui. Obrigada.
— Imagina. Se precisar de novo, é só usar.
Luísa voltou para onde Carlos estava sentado. — Resolvido. Ela deixou eu usar o telefone da recepção.
— E sua mãe?
— Atendeu na hora. Sinal do hotel é péssimo, mas o telefone fixo funciona.
— Antigo mas funciona.
— Exato.
*Continua em: 788 — Carlos — Como pedir a senha do wifi no hotel*