Como pedir um aquecedor no quarto do hotel?

Carlos

A noite em Campos do Jordão era fria de verdade. Não o frio de ar-condicionado, mas o frio que entrava pelos ossos. Carlos estava com duas blusas, uma de cada corpo, sentado na ponta da cama. Os dedos gelados.

— Tá frio pra caramba — ele disse.

Luísa estava debaixo do edredom, só o nariz de fora. — Aquece o ar então.

— O ar-condicionado só faz frio.

— Liga no quente, ué.

— Não tem quente. Esse modelo é só frio.

Ela tirou o rosto de baixo do edredom. — Sério?

— Sério.

— Pede um aquecedor na recepção.

Carlos levantou, foi até o telefão e discou 0.

— Recepção, boa noite.

— Boa noite. É o Carlos do quarto 703.

— Boa noite. Como posso ajudar?

— O quarto tá muito frio e o ar-condicionado aqui só ventila frio. Vocês têm aquecedor disponível?

— Temos, sim. Aquecedor portátil. Vou mandar agora.

— Obrigado.

— Disponha.

Carlos desligou e ficou em pé esperando. Seis minutos. Bateram na porta.

— Entrega de aquecedor.

Ele abriu. Um rapaz com uma caixa de papelão nas mãos. — Boa noite. Aquecedor.

— Obrigado.

O rapaz entrou, abriu a caixa, tirou um aquecedor elétrico pequeno, branco, com duas resistências. Colocou no canto do quarto, ligou na tomada, girou o botão.

O calor começou a sair em segundos.

— Deixa ligado uns minutos que o quarto esquenta — ele disse.

— Valeu.

— Imagina.

O rapaz saiu. Carlos fechou a porta e ficou em frente ao aquecedor. O calor subia pelas pernas. Ele estendeu as mãos.

— Agora sim — ele disse.

— Vem pra cama que o edredom já esquentou — Luísa chamou.

Ele desligou o aquecedor depois de cinco minutos, subiu na cama e puxou o edredom. O corpo esquentou de uma vez. Fechou os olhos.

— Lua de mel em cidade fria — ele murmurou. — Quem diria.

*Continua em: 787 — Luísa — Como pedir para usar o telefone do hotel*