O quarto estava quente. Não era um calor de fora — o ar-condicionado funcionava, mas Luísa sentia falta de uma brisa no rosto. Ela gostava de dormir com ventilador desde pequena. O barulho das hélices, o vento constante. Sem aquilo, o sono não vinha.
Ela virou na cama pela quarta vez. Carlos já estava roncando baixinho ao lado.
Levantou, foi até o banheiro, bebeu água. Voltou, deitou de novo. Nada.
Pegou o telefão e discou 0.
— Recepção, boa noite — a voz feminina do outro lado.
— Boa noite. É a Luísa do 703.
— Boa noite. Precisa de algo?
— Vocês têm ventilador? O quarto tem ar-condicionado, mas eu não consigo dormir sem ventilador.
— Claro. A gente tem ventilador de chão. Posso mandar um pro seu quarto?
— Pode, por favor.
— Vou mandar agora.
— Obrigada.
— Disponha.
Luísa desligou e ficou sentada esperando. Menos de dez minutos depois, bateram na porta.
— Serviço de quarto.
Ela abriu. Um rapaz com um ventilador de chão branco, daqueles de pedestal, cabo preto enrolado.
— Boa noite. A senhora pediu um ventilador?
— Isso.
— Onde a senhora quer?
— Perto da cama, do meu lado.
Ele levou o ventilador até o lado direito da cama, esticou o cabo, ligou na tomada. Ajustou a altura, ligou no mínimo. As hélices giraram, o vento bateu no rosto dela.
— Tá bom?
— Perfeito. Obrigada.
— Qualquer coisa, é só ligar.
Ele saiu. Luísa fechou a porta, apagou a luz e deitou. O barulho do ventilador encheu o quarto. O vento fresco no rosto. Ela fechou os olhos e dormiu em segundos.
*Continua em: 786 — Carlos — Como pedir um aquecedor no quarto do hotel*