O quarto estava uma geladeira. Carlos mexeu no controle do ar-condicionado pela terceira vez. Aumentou para 24 graus. Depois 25. Depois 26. O vento continuava saindo frio, um jato direto na cama.
Ele puxou o cobertor até o peito. Luísa estava sentada ao lado, lendo no celular, uma blusa de frio por cima do pijama.
— Esse ar não para — Carlos disse.
— Tá gelado mesmo.
— Eu mudei pra 26 graus e continua saindo ar frio.
— Pode ser que tá com defeito.
— Pois é.
Carlos ficou deitado mais cinco minutos. O frio não passava. Sentou, pegou o telefão do criado-mudo e discou 0.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É o Carlos do 703.
— Boa noite. Como posso ajudar?
— O ar-condicionado do quarto não está funcionando direito. Eu aumento a temperatura, mas continua saindo ar frio igual.
— Entendi. O senhor já tentou desligar e ligar de novo?
— Já. Não mudou nada.
— Pode ser o sensor. Vou mandar a manutenção agora.
— Obrigado.
Carlos desligou e ficou sentado na cama. Dez minutos depois, bateram na porta.
— Manutenção.
Ele abriu. Um rapaz de macacão azul, com uma mochila de ferramentas e um aparelho na mão.
— Boa noite. O ar?
— É. O sensor não responde.
O rapaz foi até o aparelho na parede, abriu a tampa, mexeu em alguma coisa com uma chave pequena. Ajustou um parafuso. Fechou.
— Testa agora — ele disse.
Carlos pegou o controle, apertou 24. O ar mudou o som, o vento ficou mais suave.
— Parece que foi — Carlos disse.
— Era o sensor de temperatura. Tava desregulado. Agora vai.
— Valeu.
— Imagina. Boa noite.
O rapaz saiu. Carlos fechou a porta e deitou de novo. O ar parou de soprar gelado. O quarto começou a aquecer devagar.
— Finalmente — ele disse.
— Milagre — Luísa respondeu sem tirar os olhos do celular.
*Continua em: 785 — Luísa — Como pedir um ventilador no quarto do hotel*