O sol da manhã entrava pelas frestas da cortina. Luísa estava sentada na cama com o celular na mão, o mapa da cidade aberto na tela. Três pontos turísticos marcados. Nenhum a menos de quatro quilômetros.
— Tá vendo isso? — ela virou a tela para Carlos.
Ele estava em pé na frente do espelho, passando a mão no cabelo. — O quê?
— O Pão de Açúcar. O Cristo. O bondinho de Santa Teresa. Tudo longe.
— A gente vai de Uber.
— Se a gente for de Uber pra tudo, vai gastar metade do orçamento em corrida.
Carlos parou de arrumar o cabelo. — O que você sugere?
— Vou perguntar na recepção.
Ela calçou o chinelo, saiu do quarto e foi até o balcão. A recepcionista de blazer preto estava digitando no computador.
— Bom dia — Luísa disse.
— Bom dia. Precisa de algo?
— Sim. A gente quer visitar alguns pontos turísticos hoje. O Cristo, o Pão de Açúcar. O hotel oferece transporte pra esses lugares? Ou tem alguma parceria com agência?
A recepcionista endireitou a postura. — A gente tem um convênio com uma van de turismo. Ela passa aqui às 9h, 11h e 14h. Faz o roteiro dos principais pontos e volta às 17h.
— E quanto custa?
— Oitenta reais por pessoa. Inclui transporte e guia básico nos pontos.
Luísa fez as contas rápido. Oitenta por pessoa, cento e sessenta os dois. Menos que duas corridas de Uber.
— A gente pode reservar pra hoje, 11h?
— Claro. Dois passageiros?
— Dois.
A recepcionista anotou. — Fechado. 11h em frente ao hotel. A van é branca, escrito Turismo Rio na lateral.
— Obrigada.
— Disponha.
Luísa voltou para o quarto. Carlos estava calçando o tênis.
— Fechou? — ele perguntou.
— Fechou. Van turística, 11h, 80 por pessoa, roteiro completo, guia incluso.
— Mais barato que Uber?
— Muito mais barato.
— Você é fera.
— Eu sei.
*Continua em: 784 — Carlos — Como reclamar do ar-condicionado no hotel*