Carlos colocou o despertador do celular para as 5h30. Olhou para a tela. 5h30. O voo era às 8h. Tinha tempo, mas ele não confiava em despertador de celular em viagem.
— E se o celular descarregar?
— Carrega — Luísa respondeu, já de olho fechado.
— E se a tomada falhar?
— Carlos.
— E se o celular atualizar de madrugada e mudar o fuso?
— Carlos, vai dormir.
Ele ficou quieto por um minuto. Depois pegou o telefone e discou a recepção.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É o Carlos do 703. Dá pra pedir um wake-up call?
— Claro. Que horas?
— 5h30, por favor.
— 5h30. Vou programar. O senhor quer chamada só uma vez ou a cada cinco minutos?
— Como assim?
— A gente pode ligar uma vez. Ou ligar de cinco em cinco minutos até atender.
— Uma vez já resolve. Se não atender, o problema é meu.
— Combinado. Vou programar as 5h30.
— Obrigado.
— Boa noite.
Ele desligou e virou de lado.
— Programei — ele disse.
— O quê?
— Wake-up call. 5h30.
— Você não confia no celular?
— Não.
— Nem eu.
— Então dorme.
— Tô dormindo.
Às 5h28, o telefone tocou. Carlos atendeu no primeiro toque.
— Bom dia, são 5h30 — a voz da recepção. — Horário do wake-up call.
— Obrigado.
— Tenha um bom voo.
Ele desligou e sentou na cama. O sol ainda não tinha nascido.
— Acordei — ele disse.
— Eu também.
— Wake-up call funciona.
— Funciona.
*Continua em: 779 — Luísa — Como deixar a chave na recepção do hotel*