Era a última manhã. Luísa estava no lobby com a conta na mão, lendo linha por linha. A folha listava as diárias, a taxa de turismo, duas consumações do frigobar.
— Tudo certo? — o recepcionista perguntou.
— Tô conferindo.
Ela leu de novo. Diária 1, diária 2, diária 3. Tudo batia. Mas ela queria um comprovante mais completo.
— Dá pra emitir um recibo detalhado? Com CNPJ e tudo?
— Claro. Precisa de nota fiscal?
— Isso. Nota fiscal com CNPJ.
— A senhora tem o CNPJ?
Luísa pegou o celular, abriu o e-mail, achou os dados da empresa. Passou o número.
— Pode ser no nome do Estúdio Cria?
— Pode. Vou emitir agora.
O recepcionista digitou, a impressora ao lado roncou. Um papel térmico saiu. Ele pegou, conferiu, entregou.
— Nota fiscal detalhada. Diárias, taxas, consumações. Tudo separado.
Luísa leu: cada diária na sua linha, a taxa de turismo separada, as duas águas do frigobar itemizadas.
— Perfeito. Obrigada.
— Disponha.
Ela guardou a nota na pasta e subiu pro quarto.
— Pediu nota? — Carlos perguntou.
— Detalhada, com CNPJ.
— Pra quê?
— Prestação de contas. O estúdio paga parte da viagem.
— Ah.
— Recibo bonito é recibo que passa no fiscal.
— Bonito mesmo.
*Continua em: 778 — Carlos — Como pedir um wake-up call no hotel*