Carlos abriu a mala e olhou para a camisa social. Azul claro. Amassada. O vinco da dobra da mala marcava o meio da manga como uma cicatriz.
— Amassou — ele disse.
— Vê se tem ferro no quarto — Luísa respondeu.
Ele abriu o guarda-roupa. Cabides. Saco de lavanderia. Nada de ferro. Abriu a gaveta da cômoda. Nada.
— Não tem.
— Liga.
Ele pegou o telefone.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É o Carlos do 703. Tem ferro de passar no quarto?
— O ferro a gente envia mediante solicitação. A senhora quer que eu mande?
— Pode mandar.
— Levo agora. E a tábua também?
— Tábua?
— A tábua de passar. Acompanha o ferro.
— Manda também.
— Vou mandar agora.
Dois minutos. Bateram na porta. Um rapaz com um ferro preto e uma tábua dobrável na mão.
— Boa noite. Ferro e tábua, como pediu.
— Obrigado.
O rapaz montou a tábua no canto do quarto, ligou o ferro na tomada, ajustou a temperatura.
— Pode usar. Quando terminar, é só deixar que a camareira recolhe.
— Valeu.
— Disponha.
Carlos desligou a camisa na tábua. O vapor subiu. Os vincos sumiram um por um.
— Hotel bom é assim — ele disse, passando a manga. — Você pede, eles trazem.
— Não é hotel bom. É você saber pedir.
— Também.
*Continua em: 777 — Luísa — Como pedir um recibo detalhado no hotel*