Luísa estava na cama com o celular na mão, o sol da tarde entrando pela cortina. Carlos estava no chuveiro. Ela olhou o calendário. O voo era no dia seguinte. Mas a cidade era tão boa. A comida, a praia, o quarto.
— E se a gente ficasse mais um dia?
Ela falou sozinha, em voz baixa. Depois repetiu, mais alta.
— Carlos!
A água parou. — Fala!
— E se a gente ficasse mais um dia?
Ele abriu a porta do banheiro, enrolado na toalha, o cabelo pingando. — O quê?
— Mais um dia. A gente estende a estadia.
— O hotel tem vaga?
— Não sei. Vou perguntar.
Ela pegou o telefone, discou a recepção.
— Recepção, boa tarde.
— Boa tarde. É a Luísa do 703. Eu queria saber se tem disponibilidade pra estender a estadia por mais uma noite.
— Mais uma noite? Deixe ver...
Pausa. O som de teclas.
— Tem o 703 disponível pra amanhã, sim. A diária é a mesma que a senhora tá pagando, R$ 420.
— Mesmo valor?
— Mesmo valor. E como a senhora já tá hospedada, não precisa pagar taxa de reserva de novo.
— Então pode estender?
— Pode. Só confirmar. Posso estender agora.
— Confirma.
— Pronto. 703 por mais uma noite, check-out quarta-feira às 12h.
— Perfeito.
— Qualquer coisa, é só ligar.
Ela desligou, um sorriso no rosto. Carlos saiu do banheiro passando a toalha no cabelo.
— Fechou?
— Fechou. Mais um dia, mesmo quarto, mesmo valor.
— Boa.
— Muito boa.
*Continua em: 772 — Carlos — Como pedir um berço no quarto do hotel*