Eram 23h30. Luísa estava deitada, quase dormindo, quando o barulho começou. Música. Batida grave. Vozes. Vindo do quarto ao lado. Ela abriu os olhos e olhou para o teto.
— Que isso? — Carlos murmurou do lado.
— Música. Do lado.
— Que horas são?
— Onze e meia.
Ela ficou deitada por mais cinco minutos, esperando o barulho passar. A música continuou. As vozes aumentaram. Uma gargalhada alta atravessou a parede.
— Tá brincando — ela disse, sentando na cama.
— Liga pra recepção.
Ela pegou o telefone, discou 0.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É a Luísa do 703.
— Boa noite, Luísa.
— Tá tendo muito barulho no quarto ao lado. Música alta, vozes. A gente tá tentando dormir.
— Do lado esquerdo ou direito?
— Esquerdo, eu acho.
— Vou mandar a segurança verificar. É o quarto 705?
— Pode ser. Não sei o número exato.
— Tudo bem. A gente localiza. Peço desculpas pelo transtorno. Vou resolver agora.
— Obrigada.
Ela desligou e ficou sentada. A música continuou por mais uns dois minutos. Depois cessou. Silêncio. Passos no corredor. Vozes abafadas. Depois nada.
— Resolveram? — Carlos perguntou, já de olho fechado.
— Resolveram.
Luísa deitou de novo. O quarto estava silencioso. Só o ar condicionado e a respiração do Carlos. Ela virou de lado e fechou os olhos.
— Cinco minutos — ela disse baixinho.
— Hã?
— A música acabou em cinco minutos depois que liguei.
— Funciona.
— Funciona.
*Continua em: 770 — Carlos — Como pedir para trocar de quarto no hotel*