Carlos abriu a gaveta do criado-mudo, fechou. Abriu a do armário, fechou. Olhou em volta. O quarto 703 era bonito, mas ele não achava o cofre.
— Luísa, cê viu cofre aqui?
— Não vi.
Ele abriu as portas do guarda-roupa. Só cabides, cobertor extra, um chinelo de tecido. Abriu a gaveta da mesa. Nada.
— Vou ligar.
Pegou o telefone, discou 0.
— Recepção, bom dia.
— Bom dia. É o Carlos do 703. O quarto não tem cofre?
— Tem, sim. O cofre fica dentro do guarda-roupa, na parte de baixo, atrás do painel.
— Atrás do painel?
— É. Tem um painel falso na base do guarda-roupa. É só puxar.
— Deixa eu ver.
Carlos foi até o guarda-roupa, se ajoelhou, passou a mão na base de madeira. Achou uma reentrância fina, puxou. O painel deslizou. Lá dentro, um cofre eletrônico com teclado numérico.
— Achei.
— Perfeito. O padrão é 0-0-0-0. A senhora pode cadastrar a senha que quiser. Só fechar a portinhola depois de registrar.
— Obrigado.
— Disponha.
Carlos desligou e fechou o painel de novo. Olhou para Luísa, que estava sentada na cama com o passaporte na mão.
— Tava escondido atrás de um painel — ele disse.
— Que chique.
— Chique é esconder cofre atrás de painel. Coisa de hotel bom.
Ele abriu o painel de novo, colocou a senha padrão, registrou uma nova. Guardou os passaportes, as alianças, os cartões extras. Fechou a porta, girou o segredo.
— Pronto.
— Seguro?
— Seguro.
Luísa jogou a almofada nele. — Vem cá que eu vou esconder você atrás de um painel também.
— Quem dera.
*Continua em: 767 — Luísa — Como perguntar sobre a taxa de turismo no hotel*