O despertador tocou às 6h30. Luísa esticou o braço e silenciou. Olhou para o teto. O café da manhã do hotel servia a partir das 7h. O passeio de barco saía às 7h15.
— Carlos. Acorda.
Ele resmungou, virou de lado.
— A gente tem que tomar café antes do passeio. Mas acho que o café só abre às sete.
— Pede room service.
Luísa sentou na cama. Room service. Não tinha pensado nisso. Pegou o cardápio que estava na mesa do quarto. Café da manhã no quarto: pedido com 30 minutos de antecedência, servido das 7h às 11h.
— O cardápio diz que serve a partir das sete.
— E agora são?
— Seis e meia.
— Pede pra adiantar.
Ela pegou o telefone, discou o room service.
— Bom dia. Room service.
— Bom dia. Eu queria saber se tem como pedir café da manhã mais cedo. O café do restaurante abre às sete, mas a gente precisa sair antes.
— Que horas a senhora precisa?
— As 6h45, se possível.
— Deixe ver... — um silêncio, o barulho de teclas. — Consigo preparar um café continental e mandar às 6h45.
— Continental? O que vem?
— Frutas, pão, manteiga, geleia, café, suco. Leite se quiser.
— Serve.
— Pode pedir já? Aí a gente adianta.
— Pode sim. Vou pedir.
Luísa fez o pedido, desligou e foi escovar os dentes. Às 6h44, bateram na porta. Ela abriu. Um funcionário com uma bandeja grande, coberta por uma tampa de metal polido.
— Café da manhã, como pediu.
— Obrigada.
Ela colocou a bandeja na mesa do quarto. Pão quentinho, uma cesta com frutas cortadas, café passado na hora, o cheiro subindo num fio de vapor. Suco de laranja no copo alto.
— Acorda — ela disse, puxando o cobertor do Carlos. — Café servido.
Ele abriu um olho. — Que horas são?
— 6h45. O café chegou.
— Chegou mesmo.
Ele sentou, esfregou o rosto. Pegou o pão quente, passou manteiga, o vapor subindo numa manhã que ainda nem tinha clareado direito.
*Continua em: 766 — Carlos — Como pedir um cofre no quarto do hotel*