Carlos estava deitado de lado, o braço dobrado sob a cabeça. O travesseiro do hotel era fofo demais. Toda vez que ele virava, o travesseiro afundava como um marshmallow e o queixo quase encostava no peito.
Luísa já estava dormindo, a respiração leve no escuro. O quarto silencioso, só o barulho do ar condicionado.
Ele virou de novo. O travesseiro cedeu. Mexeu o pescoço. Tentou ajeitar. Nada.
Sentou na cama e passou a mão na nuca. O pescoço já doía.
Olhou para o telefão no criado-mudo. A luz verde piscava no escuro. Pegou o aparelho e discou 0.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É o Carlos do 703.
— Boa noite, Carlos. Tudo bem?
— Tudo. Vocês têm travesseiro extra? O travesseiro do quarto é muito fofo pra mim.
— Muito fofo?
— É. Fico com o pescoço torto.
— Entendi. Posso mandar um travesseiro firme. É o que a gente usa pra hóspede que prefere mais apoio.
— Isso resolve.
— Vou mandar agora.
— Obrigado.
— Disponha.
Carlos desligou e ficou sentado esperando. Cinco minutos. Bateram na porta.
Ele abriu. Um rapaz com um travesseiro branco, embalado em plástico transparente.
— Boa noite. Travesseiro firme, como pediu.
— Valeu.
O rapaz entregou. Carlos fechou a porta, abriu o plástico, deu uma sacudida no travesseiro. Era mais denso, mais pesado que o do hotel. Colocou na cama, deitou.
A cabeça ficou reta. O pescoço alinhado com a coluna. Ele fechou os olhos.
— Resolveram? — a voz de Luísa, sonolenta, do lado.
— Resolveram.
— Boa noite.
— Boa noite.
Ele virou de lado e dormiu em dois minutos.
*Continua em: 765 — Luísa — Como pedir café da manhã mais cedo no hotel*