A água do chuveiro estava morninha. Não gelada, mas longe de quente. Luísa deixou correr por cinco minutos, esperando esquentar. A temperatura não mudou.
Ela fechou o registro, pegou a toalha e saiu do banheiro com o cabelo molhado.
— O chuveiro não esquenta — ela disse.
Carlos estava deitado na cama, o celular na mão. — Sério?
— Sério. A água fica morna. Não esquenta de verdade.
— Já tentou esperar?
— Esperei cinco minutos.
— Pode ser o registro. Às vezes tem que virar até o fim.
— Eu virei.
Carlos sentou. — Vou ligar pra recepção.
— Deixa que eu ligo. — Ela pegou o telefão do criado-mudo e discou 0.
— Recepção, boa noite.
— Boa noite. É a Luísa do 703.
— Boa noite, Luísa. Tudo bem?
— Tudo. O problema é o chuveiro. A água não esquenta. Fica morna, no máximo.
— Morna?
— Morna. Não é água quente de banho.
— Entendi. Vou mandar a manutenção agora.
— Agora?
— Agora. Já vou avisar.
— Obrigada.
Luísa desligou. Dois minutos depois, bateram na porta. Um rapaz de macacão azul com uma caixa de ferramentas.
— Boa noite. O chuveiro?
— É. A água não esquenta.
Ele foi para o banheiro, abriu o registro do chuveiro, deixou correr. Colocou a mão debaixo da água. Fez cara de quem confirma.
— É o termostato do chuveiro — ele disse. — Troca em cinco minutos.
Ele abriu a caixa, pegou uma peça pequena, desmontou o registro, trocou, fechou. Testou a água.
— Agora vai.
Luísa colocou a mão debaixo da água. Quente. Bem quente.
— Funcionou — ela disse.
— Desculpa pelo transtorno. Qualquer coisa, é só ligar.
— Obrigada.
Ele saiu. Luísa fechou a porta e voltou para o banheiro.
— Resolveram? — Carlos perguntou.
— Trocaram o termostato. Cinco minutos.
— Foi rápido.
— Foi. — Ela abriu a água de novo. O vapor subiu. — Agora vou tomar meu banho quente.
— Merece.
— Eu sei.
*Continua em: 763 — Pedir toalhas extras no hotel*