O avião pousou às 10h da manhã. Carlos e Luísa passaram pela imigração, pegaram as malas e estavam na porta do aeroporto às 11h. O check-in do hotel era só às 14h. Três horas de intervalo com duas malas e uma mochila.
— Vamos pro hotel mesmo assim — Carlos disse.
— Eles não vão deixar a gente fazer check-in antes das duas — Luísa respondeu.
— Não custa tentar.
Pegaram um táxi. Vinte minutos depois, estavam em frente ao Le Soleil. Carlos entrou com as duas malas e foi direto ao balcão.
— Bom dia. Tenho uma reserva para hoje, Carlos Almeida.
— Bom dia. — A recepcionista digitou. — Ah, sim. A reserva está para as 14h.
— Eu sei. Mas a gente acabou de pousar. Tem possibilidade de early check-in?
A recepcionista olhou para a tela. — Deixe ver... O quarto 703 está disponível desde ontem. A limpeza já foi feita. Pode fazer o check-in agora.
— Sério?
— Sério. Só preciso do documento e do cartão.
Carlos entregou os documentos com a pressa de quem não quer dar tempo para a sorte mudar de ideia. A recepcionista fez o processo em dois minutos.
— Pronto. 703. Café da manhã é servido até as 10h, mas como já passou, posso liberar um vale para o restaurante do hotel. Café da manhã cortesia.
— Valeu mesmo.
— Imagina. Boa estadia.
Carlos pegou as chaves e foi para o elevador.
— Early check-in — Luísa disse, rindo. — Café da manhã cortesia. Você tá on hoje.
— Sorte.
— Não é sorte. É perguntar.
O quarto estava exatamente como eles deixaram três dias atrás. A cama arrumada. A varanda com a vista. A banheira no canto.
— A gente pode descansar — Carlos disse, jogando a mochila na poltrona.
— Pode.
Ele abriu a varanda. O vento entrou. A cidade estava lá, esperando.
— Três horas a mais de quarto — ele disse.
— Grátis.
— Grátis.
*Continua em: 762 — Luísa — Como reclamar do chuveiro frio no hotel*