Como agir em uma emergência em hotel?

Luísa

O alarme começou no meio da noite. Um som agudo, intermitente, que cortou o silêncio do quarto como uma faca.

Luísa sentou na cama num pulo. O coração batendo no pescoço. O quarto estava escuro. A luz vermelha do detector de fumaça piscava no teto.

— Carlos! — Ela cutucou o ombro dele. — Acorda!

— Hã? — Ele virou, os olhos ainda fechados.

— O alarme. Acorda!

Carlos sentou, piscando. O alarme continuava. Um som que não parava.

— O que é isso? — ele perguntou, a voz grossa de sono.

— Alarme de incêndio. — Luísa já estava com os pés no chão, procurando o chinelo no escuro. — Levanta. Agora.

Ela ligou o abajur. O quarto ganhou forma: as malas no canto, a cortina semi-aberta, a janela mostrando a noite lá fora.

— Pega o celular — ela disse. — E os documentos.

— Os documentos?

— Passaporte, carteira. Pega.

Ela mesma abriu a gaveta do criado-mudo, tirou a pasta de documentos que ela guardava desde o check-in. Colocou o passaporte dela e o de Carlos no bolso do casaco.

O alarme parou.

— Parou — Carlos disse.

— Não importa. — Ela foi até a porta e colocou a mão na maçaneta. — Tá fria.

— Como assim?

— Maçaneta fria significa que não tem fogo do lado de fora. — Ela abriu a porta. O corredor estava vazio. As luzes de emergência acesas, um tom âmbar fraco. — Vamos.

— Agora?

— Agora.

Ela saiu, Carlos atrás. Andaram pelo corredor. Outros hóspedes estavam saindo dos quartos também, alguns de pijama, outros com casacos por cima. Uma mulher segurava uma criança no colo.

— Escada de emergência — Luísa disse, apontando para a placa verde no fim do corredor.

Eles desceram. Seis andares. O concreto das escadas era frio sob os pés. Ninguém falava. Só os passos e a respiração.

Na portaria, um grupo de hóspedes estava reunido na calçada. Funcionários contavam as pessoas. Um segurança falava no rádio. O ar da madrugada era gelado.

— Falso alarme — um funcionário anunciou, minutos depois. — Alguém acionou o detector no quarto do oitavo andar. Cozinhou e abriu a porta do micro-ondas com fumaça. Pode voltar.

As pessoas começaram a voltar. Algumas resmungando. Outras rindo do susto.

Luísa ficou parada na calçada, o coração ainda acelerado.

— Você sabia o que fazer — Carlos disse, a mão no ombro dela.

— Li no manual de emergência do quarto. — Ela olhou para ele. — Quando a gente chegou, eu li.

— Leu?

— Leu. Enquanto você arrumava a mala.

Carlos ficou olhando para ela. A madrugada fria. O susto passado.

— Você é foda — ele disse.

Ela riu. — Vamos subir. Tô com frio.

*Continua em: 755 — Carlos — Como pedir ajuda em emergência em hotel*