Como conversar com hotel sobre política pet friendly?

Carlos

A recepção do hotel onde eles estavam hospedados era um salão amplo com piso de mármore e um lustre de vidro no centro. Carlos estava na fila do check-in, a mochila numa mão e a coleira do Toby na outra — vazia, porque Toby estava no Pet Paradise.

— Próximo — a recepcionista chamou.

Carlos se aproximou do balcão. — Boa tarde. Fiz a reserva online, Carlos Almeida.

— Deixe ver. — A moça digitou no computador. — Ah, sim. Quarto duplo, três diárias.

— Isso. — Ele hesitou. — Eu queria confirmar uma coisa.

— Pois não.

— A política pet friendly de vocês. Como funciona?

A recepcionista sorriu. — Aceitamos cães de até 15 quilos, com taxa de limpeza de cinquenta reais por diária.

— E eles podem circular nas áreas comuns?

— Podem, mas sempre na coleira. A gente pede que o hóspede não deixe o animal sozinho no quarto por mais de duas horas, e que não suba na cama ou no sofá.

— E se ele latir?

A recepcionista inclinou a cabeça. — Latir?

— É. O Toby não é de latir muito, mas se a gente sair e ele ficar sozinho, às vezes ele chora. Queria saber se tem reclamação de outros hóspedes.

— Olha, a gente não recebeu reclamações até agora. Mas se acontecer, a gente liga pro quarto e avisa. Se persistir, a gente pode pedir pra buscar o animal ou transferir pra um quarto mais isolado.

— E a taxa de limpeza cobre o quê?

— Cobrimos higienização extra do quarto depois do check-out. Usamos produtos específicos para eliminar pelos e odores.

Carlos assentiu. — E o Toby pode dormir no quarto com a gente? Na caminha dele?

— Pode, sem problema. Só pedimos pra não deixar na cama.

— Certo. Obrigado.

Ele se virou e encontrou Luísa sentada numa poltrona de couro, mexendo no celular.

— Perguntou?

— Perguntei. — Ele sentou ao lado. — Pode ficar no quarto, mas não na cama.

— E a taxa?

— Cinquenta por dia.

— Justo.

— É. — Ele olhou para o saguão. Pessoas entrando e saindo, carregando malas, crianças correndo. Daqui a três dias, Toby estaria ali com eles. No mesmo quarto. Na caminha dele.

— Tá pensando nele? — Luísa perguntou, sem tirar os olhos do celular.

— Tô.

— Eu também.

*Continua em: 754 — Luísa — Como agir em uma emergência em hotel*