Luísa estava sentada na cama do hotel, a mala aberta no chão, mas ela não conseguia focar em arrumar nada. O celular estava na mão. A foto que o hotel mandou às seis da tarde mostrava Toby deitado na cama azul, a bolinha azul ao lado do focinho. Tudo parecia bem.
Mas ela precisava perguntar.
— Vou ligar de novo — ela disse.
— De novo? — Carlos estava no banheiro, escovando os dentes.
— É que eu esqueci de perguntar uma coisa.
Ela discou.
— Pet Paradise, boa noite.
— Boa noite. É a Luísa, do Toby de novo.
— Oi, Luísa! Tudo bem?
— Tudo. Olha, desculpa ligar de novo, mas eu preciso saber uma coisa e não vou sossegar enquanto não perguntar.
— Pode falar.
— Se o Toby fugir. Qual é o procedimento?
— Fuga?
— É. Se ele escapar, se soltar, se pular. O que vocês fazem?
A moça do outro lado fez uma pausa curta. — A gente tem um protocolo, sim. Primeiro, a gente fecha o perímetro imediatamente e avisa todos os funcionários pelo rádio. Depois, a gente rastreia as câmeras pra ver por onde ele saiu.
— E se ele sair pra rua?
— A gente tem parceria com uma clínica veterinária perto. Eles têm microchip scanner. Se alguém encontrar, o chip do Toby vai estar registrado no sistema. Além disso, a gente entra em contato com você na hora.
— Imediatamente?
— Imediatamente. E a gente continua a busca até encontrar. Já teve caso de cachorro que saiu e foi achado duas quadras depois.
Luísa respirou. — E vocês avisam o tutor antes de começar a procurar ou depois?
— Avisamos na hora. A gente não espera resolver pra depois ligar. A ligação é o primeiro passo, junto com o fechamento do perímetro.
— E o número de emergência que eu deixei na ficha? Funciona?
— Funciona. Testamos quando registramos. O número da Luísa e do Carlos estão salvos.
Luísa soltou o ar. — Certo. Obrigada. Dá pra anotar na ficha que eu quero ser avisada na hora? Qualquer fuga, por menor que seja.
— Anoto agora mesmo.
— Valeu. Desculpa pelo excesso.
— Não precisa se desculpar. A gente entende.
Luísa desligou. O telefone ficou quente na mão.
Carlos saiu do banheiro, a escova ainda na mão. — Qual era a pergunta?
— Fuga. Se ele fugir.
— E?
— Eles avisam na hora. Têm câmera, rastreamento, clínica parceira.
— E agora? Melhorou?
— Melhorou. — Ela colocou o celular no criado-mudo. — Agora vou arrumar a mala.
— Jura?
— Juro.
Ela abaixou a cabeça e pegou a primeira blusa. Mas antes de dobrar, olhou para a foto do Toby mais uma vez. E sorriu.
*Continua em: 753 — Carlos — Como conversar com hotel sobre política pet friendly*