Carlos estava agachado no chão da recepção do Pet Paradise, uma mão apoiada no ombro do Toby. Toby farejava o piso, o rabo abanando baixo, ainda estranhando o cheiro de outros animais.
— Mais uma coisa — Carlos disse, erguendo os olhos para a funcionária atrás do balcão.
— Fala.
— O Toby não pode ficar solto em área aberta sem supervisão.
— Ele fica solto em casa?
— Fica. Mas em casa a gente conhece ele. Aqui ele pode se assustar com outro cachorro, pode tentar ir atrás de algum cheiro, pode pular o muro se assustar.
A funcionária anotou num bloquinho. — A gente tem áreas separadas por porte. Ele vai ficar no grupo de porte médio, com cães castrados. A supervisão é constante.
— Mas solto? — Carlos insistiu.
— A gente solta em horários específicos, com funcionário presente o tempo todo. Se você preferir, a gente mantém ele na baia com brinquedos e só leva para o pátio com guia.
— Isso. Com guia. — Carlos passou a mão na cabeça do Toby. — Ele é obediente, mas se vir um portão aberto, ele vai.
— Entendi. Vou deixar registrado: Toby sai para o pátio com guia e acompanhamento exclusivo. Recreação somente com supervisão direta.
— Obrigado. — Carlos levantou. — Desculpa ser chato.
— Não é chato. A gente prefere saber. Cada cachorro tem um perfil. O que vale é a segurança.
Carlos olhou para Toby. O cachorro estava deitado agora, o queixo no chão, os olhos grandes acompanhando o dono.
— Fica bem, garoto — Carlos disse baixinho.
A funcionária se abaixou e fez carinho na orelha do Toby. — Vamos cuidar bem dele.
Carlos andou até a porta. Virou uma vez. Toby não tinha se levantado. Só mexeu o rabo uma vez, devagar.
Carlos saiu. A porta fechou. O sol forte da rua bateu no rosto dele.
— Pediu pra não soltar? — Luísa perguntou, sentada num banco perto da entrada.
— Pedi.
— E eles vão respeitar?
— Disseram que sim. Vai ficar registrado.
Luísa levantou e passou o braço no dele.
— Vem. Vamos aproveitar o dia.
Eles atravessaram a rua. Carlos não olhou para trás. Mas sentiu o peso do cachorro faltando no lado esquerdo do corpo, onde Toby sempre caminhava.
*Continua em: 752 — Luísa — Como falar com hotel pet sobre procedimento em caso de fuga*