A recepção do Pet Paradise era um salão claro com piso de cerâmica e um balcão de madeira com potes de petisco. Luísa estava em pé na frente do balcão, a guia do Toby enrolada na mão. Toby estava sentado ao lado dela, o rabo varrendo o chão liso.
— Pronta pra deixar ele? — a recepcionista perguntou, sorrindo.
— Pronta. — Luísa fez carinho na cabeça do Toby. — Mas antes eu queria perguntar uma coisa.
— Pode perguntar.
— O banho. O site disse que inclui banho antes de buscar. Como funciona a supervisão?
A recepcionista inclinou a cabeça. — Supervisão?
— É. Fica alguém com ele durante o banho? Ou deixa ele sozinho?
— Entendi. — A moça apoiou as mãos no balcão. — A gente tem uma funcionária dedicada ao banho. Ela fica o tempo todo com o animal. Não larga ele sozinho.
— E usa guia dentro da área de banho?
— Usa, sim. O animal fica preso na guia curta durante o banho, e a gente usa coleira de contenção se o animal for muito agitado.
Luísa olhou para Toby. Ele estava lambendo a mão dela, despreocupado.
— É que ele nunca tomou banho em lugar estranho — Luísa disse. — Sempre fui eu que dei banho.
— A gente entende. — A recepcionista abaixou e fez carinho no Toby. — A gente pode fazer um banho mais rápido, sem ficar muito tempo ensaboando, se ele ficar estressado. E a função de banho é uma sala fechada, com portas de vidro, então a gente vê o tempo todo.
— E se ele tentar pular?
— A guia curta impede. E a funcionária fica com a mão nele o tempo todo. Banho é procedimento controlado.
Luísa soltou o ar. — Legal. Obrigada por explicar.
— Imagina. A gente prefere que o tutor saiba como funciona. Fica mais tranquilo pra todo mundo.
Luísa se abaixou, passou a mão no focinho do Toby e deu um beijo na cabeça dele.
— Volto logo, tá? — ela sussurrou.
Toby lambeu o queixo dela.
Ela entregou a guia para a recepcionista e andou para a porta. Virou uma vez. Toby estava sentado onde ela deixou, olhando para ela, a cabeça inclinada.
— Vai — Carlos disse, segurando a porta. — Ele vai ficar bem.
Ela passou pela porta. O vidro fechou atrás dela. Toby continuou sentado, olhando.
Luísa respirou fundo e andou.
*Continua em: 751 — Carlos — Como pedir ao hotel pet para não deixar o animal solto*