Luísa estava no banco de trás do Uber, o celular na mão, a tela dividida entre o mapa do GPS e a galeria de fotos do Toby. A última era de dois dias atrás, ele dormindo no sofá com a barriga para cima, a pata dobrada sobre o focinho.
Ela já sentia falta.
— Acho que vou ligar pra eles — ela disse.
Carlos virou do banco da frente. — Pra quem?
— Pro hotel do Toby.
— A gente já fez o check-in online. Deixou tudo certo.
— Eu sei. Mas quero pedir pra eles mandarem foto.
— Foto?
— Todo dia. Uma foto. Pra saber que ele tá bem.
O motorista olhou pelo retrovisor, mas não disse nada.
— Você acha que eles fazem isso? — Carlos perguntou.
— Não sei. — Ela já estava discando. — Por isso vou perguntar.
O telefone chamou duas vezes.
— Pet Paradise, boa tarde.
— Boa tarde! — Luísa endireitou as costas no banco. — É a Luísa. A gente fez check-in do Toby hoje de manhã.
— Ah, sim! O Toby. Já está acomodado, tomou água, comeu ração. Tá andando pelo pátio agora.
— Que bom. — Ela sorriu. — Olha, eu queria saber se vocês podem mandar fotos dele durante a estadia.
— Fotos?
— É. Uma por dia, no WhatsApp. Só pra gente ficar tranquilo.
— Claro, sem problema. Qual é o seu número?
Luísa ditar o número, repetindo duas vezes para garantir.
— A gente manda no final da tarde, com um resumo do dia — a moça disse. — Se quiser mais fotos, é só pedir.
— Nossa, obrigada. — Luísa soltou o ar. — Sério, muito obrigada.
— Imagina. A gente sabe que os donos ficam ansiosos. O Toby vai estar bem cuidado.
Luísa desligou e ficou olhando para a tela.
— Conseguiu? — Carlos perguntou.
— Foto todo dia no WhatsApp.
— E você achando que iam achar pedido demais.
— É que eu não queria ser a dona chata.
— Você não é chata. É cuidadosa. Tem diferença.
Luísa guardou o celular e olhou pela janela. Os prédios passavam. A cidade nova se abria na frente dela. Pela primeira vez na viagem, ela sentiu que podia aproveitar sem o peso da preocupação no peito.
Às seis da tarde, o celular vibrou. Uma foto de Toby deitado numa cama azul, a língua de fora, uma bolinha ao lado.
Luísa salvou a foto. Respondeu com um coração. E mostrou o celular para Carlos.
— Tá feliz — ela disse.
— Parece.
Ele sorriu. Ela guardou o celular. E voltou para o jantar.
*Continua em: 749 — Carlos — Como falar com hotel pet sobre brinquedos e objetos pessoais do animal*