Como pedir a um funcionário do consulado lista de brasileiros na cidade?

Luísa

O prédio do consulado era uma casa antiga convertida, com fachada de azulejo branco e uma bandeira do Brasil pendurada na varanda do segundo andar. Luísa subiu os três degraus da entrada, puxou a porta de vidro e entrou.

O ar-condicionado estava no máximo. Uma sala pequena com cadeiras de plástico branco, um balcão de madeira e um ventilador de teto desligado. Atrás do balcão, uma mulher de cabelo preso e blusa social azul marinho olhava para o computador.

— Bom dia — Luísa disse, se aproximando do balcão.

— Bom dia. — A mulher ergueu os olhos. — Em que posso ajudar?

— Eu tô numa viagem e queria saber se tem uma lista de brasileiros que moram na cidade. Algo tipo comunidade, grupo.

A funcionária inclinou a cabeça. — Lista de brasileiros?

— É. Pra saber se tem encontros, eventos, algo que a gente possa participar enquanto tá aqui.

A funcionária apoiou os cotovelos no balcão. — O consulado não mantém uma lista pública de cidadãos, por questão de proteção de dados. A gente não pode divulgar informações de quem se registrou aqui.

— Ah.

— Mas — a funcionária levantou um dedo — tem a Associação de Brasileiros da cidade. Eles organizam eventos, têm grupo de WhatsApp, às vezes fazem feirinha, confraternização. A gente tem o contato deles.

— Isso ajudaria.

A funcionária abriu uma gaveta, tirou um cartão de visitas amassado e escreveu um número de telefone atrás. — O presidente é o Seu Ronaldo. Pode ligar ou mandar mensagem. Fala que foi indicação do consulado.

Luísa pegou o cartão. O papel era simples, com o brasão do consulado na frente.

— E tem mais alguma coisa? — a funcionária perguntou. — Precisa de algum documento?

— Não, era isso mesmo.

— Se quiser, pode se registrar como brasileira no exterior. É rápido. Aí se tiver algum evento oficial ou emergência, a gente consegue avisar.

— Faço isso.

A funcionária virou o monitor para Luísa. — Só preencher o formulário online, no totem da sala ao lado. Dois minutos.

Luísa agradeceu, guardou o cartão no bolso da calça e foi para a sala ao lado. Um computador velho com teclado amarelado. Ela preencheu: nome, passaporte, hotel, data de chegada. Tudo em dois minutos.

Quando saiu, o sol da rua bateu no rosto. Ela puxou o cartão do bolso e olhou o número.

— Conseguiu? — Carlos perguntou, sentado num banco da calçada, um sorvete meio derretido na mão.

— Mais do que eu esperava. — Ela sentou ao lado. — Vamos ter contato pra chamar no WhatsApp.

— Brasileiros?

— Brasileiros. — Ela guardou o cartão. — Vai que a gente precisa de uma dica de onde comer um arroz e feijão de verdade.

*Continua em: 747 — Carlos — Como perguntar ao hotel pet sobre taxa de cancelamento*