Como pedir a um atendente de duty-free para experimentar um perfume?

Carlos

O ar do aeroporto era gelado, mistura de ar-condicionado central com cheiro de café passando e piso recém-lavado. Carlos passou pelo controle de segurança, recolocou o cinto na calça, calçou o tênis e entrou na área das lojas. O voo era só daqui a duas horas.

Luísa tinha ido ao banheiro. Ele estava sozinho em frente à loja duty-free.

As prateleiras brilhavam. Garrafas de vidro colorido alinhadas sob luzes de LED, cada uma com um nome francês ou italiano que ele não sabia pronunciar. Um vendedor de avental preto organizava amostras no balcão.

Carlos se aproximou. Olhou um vidro azul escuro, depois outro verde. Não fazia ideia do que estava vendo.

— Tá procurando alguma coisa? — o vendedor perguntou, sem virar. Continuou organizando as caixinhas.

— É... — Carlos tocou no vidro azul. — Queria experimentar um perfume.

— Qual?

— Esse.

O vendedor virou, olhou o vidro, depois olhou Carlos. — Esse é o Bleu de Chanel. Eau de Parfum.

— Isso.

— Quer sentir?

— Quero.

O vendedor pegou uma tira de papel branco do balcão, borrifou uma vez e entregou a Carlos. — Passa no pulso. Ou só cheira a fita mesmo, como preferir.

Carlos pegou a fita. Levou ao nariz. O cheiro era forte, meio cítrico, meio amadeirado. Ele não sabia descrever. Mas era bom.

— Gostou? — o vendedor perguntou.

— Gostei. Mas queria sentir na pele.

O vendedor pegou outra fita. — Pode passar no braço, sem problema.

Carlos borrifou um jato no pulso. O líquido estava frio. Ele esfregou o outro pulso por cima, levou ao nariz de novo.

— É diferente na pele, né? — o vendedor disse. — A fita dá uma ideia, mas na pele o perfume reage com o pH. Pode mudar.

— É mais suave — Carlos disse.

— Isso. Porque seu corpo aquece e as notas de fundo aparecem. Esse tem notas de madeira, âmbar, um toque de gengibre.

Carlos olhou o vidro. O preço na etiqueta. Cento e poucos dólares.

— Vou pensar — ele disse.

— Fica à vontade. Se quiser testar outro, é só me chamar. Qualquer coisa.

— Valeu.

Carlos deu mais alguns passos na loja, o pulso ainda no nariz. O cheiro ficava. Não sumia. Aos poucos, foi mudando, ficando mais quente.

Quando Luísa apareceu, ela cheirou o ar perto dele.

— Passou em loja de perfume?

— Testei um.

— Qual?

Carlos mostrou o pulso. Ela aproximou o nariz, fechou os olhos, abriu de novo.

— Esse é bom. Compra.

— É caro.

— É seu aniversário mês que vem. — Ela sorriu. — Agora eu sei o que dar.

*Continua em: 746 — Luísa — Como pedir a um funcionário do consulado lista de brasileiros na cidade*