O barco cortava o mar, a costa cada vez mais distante. Luísa estava na proa, o vento no cabelo. Ela via as praias passando — algumas cheias de barracas e guarda-sóis, outras vazias, com areia branca e nenhuma construção.
— Aquela ali — ela apontou. — Parece deserta.
— É a praia do Canto — o barqueiro respondeu. — Só dá para chegar de barco.
— Dá para parar lá?
— Pode. Mas não tem estrutura. Nenhuma barraca, nenhum vendedor.
— A gente trouxe água e lanche.
— Então é tranquilo.
O barqueiro virou o leme. O barco mudou de direção, se aproximando da costa. Luísa via a areia ficando mais perto, as pedras nas laterais, a vegetação nativa descendo até a praia.
— Quanto tempo a gente pode ficar? — ela perguntou.
— O tempo que quiser. É só me avisar quando quiser voltar.
— Uma hora?
— Uma hora, duas, o dia inteiro. O passeio é seu.
O barco encostou na areia. Luísa saltou, os pés afundando na areia seca. A praia era pequena, emoldurada por pedras e coqueiros. Nenhum barulho além do mar e do vento.
— Perfeita — ela disse.
— Escolha boa — o barqueiro respondeu. — Fico te esperando.
Ela caminhou pela areia. Uma praia que ela viu de longe e pediu para conhecer. O barqueiro parou porque ela pediu. O passeio ganhou um destino que não estava no roteiro.
*Continua em: 743 — Como perguntar dificuldade da trilha ao guia?*