A mesma sala, cadeiras diferentes. Luísa estava sentada à mesa, as mãos sobre a pasta de documentos. O oficial de óculos redondos virou a página.
— A senhora trabalha como designer gráfica?
— Sim. Sou sócia de um estúdio.
— Sócia? Qual o regime?
— Sou MEI. Microempreendedora individual.
— E há quanto tempo?
— Sete anos.
O oficial levantou os olhos.
— Sete anos é um bom tempo. E como funciona a renda?
— Variável. Depende dos projetos do mês. Mas a média dos últimos doze meses foi de seis mil reais.
— Tem comprovante?
Luísa tirou da pasta uma pilha de documentos.
— Declaração de faturamento do MEI. Extratos bancários dos últimos seis meses. E três contratos de projeto assinados, com os respectivos recibos de pagamento.
O oficial pegou os papéis. Leu com atenção.
— A senhora é organizada.
— Tento ser.
— E quanto tempo pretende ficar no exterior?
— Três meses. Meu sócio vai tocar o estúdio enquanto eu estiver fora.
— Quem é seu sócio?
— Camila. Ela tem procuração para assinar no meu lugar.
O oficial anotou.
— Está tudo claro. Vou finalizar o processo.
— Obrigada.
Luísa guardou os documentos. Fora da sala, Carlos esperava.
— Deu certo? — ele perguntou.
— Deu. Ela só queria ver que o trabalho é estável.
— E mostrou?
— Mostrei. Com documento, com contrato, com data.
Ela guardou a pasta na mochila. Dizer o que se faz, como se faz, há quanto tempo se faz. Respostas claras para o oficial, segurança para o visto.
*Continua em: 737 — Carlos — Como pedir ao marinheiro do cruzeiro sobre atividades a bordo?*