A sala do oficial consular era pequena, com uma mesa de madeira clara e um computador. Carlos sentou na cadeira da frente. O oficial era um homem de óculos redondos e pasta de documentos na mão.
— Seus documentos estão em ordem — ele disse. — Só preciso esclarecer alguns pontos sobre sua renda.
— Claro.
— O senhor trabalha como analista de operações na Transportadora América, correto?
— Correto.
— E seu salário mensal é de quanto?
Carlos abriu a pasta e tirou o contracheque.
— Quatro mil e duzentos reais, líquido. O bruto é cinco mil e oitocentos.
— Esse valor inclui benefícios?
— Inclui vale-refeição e plano de saúde. O vale é de oitocentos reais por mês. O plano de saúde é corporativo, sem desconto no salário.
O oficial anotou.
— O senhor tem outras fontes de renda?
— Não. Só o salário.
— E na sua declaração de imposto de renda, esse valor aparece?
— Aparece. Tudo declarado.
O oficial virou a página.
— E o senhor tem economia para se manter no exterior? A solicitação de visto pede comprovação de meios financeiros.
— Tenho. Uma conta-poupança com vinte mil reais. E uma reserva de emergência de mais oito mil.
— Pode apresentar os extratos?
Carlos tirou os papéis da pasta.
— Aqui.
O oficial conferiu os extratos. Leu os números, confirmou as datas.
— Está tudo em ordem. Sua renda é compatível com a solicitação. Vou dar continuidade ao processo.
— Obrigado.
Carlos guardou os documentos. Uma sala pequena, perguntas diretas. Responder com clareza, com documentos na mão, sem esconder nada. A renda não precisava ser alta — precisava ser verdadeira.
*Continua em: 736 — Luísa — Como responder ao oficial do consulado sobre seu emprego?*